terça-feira, 3 de novembro de 2009

Prêmio - Blog Instigante

Esta premiação foi criada pelos blogs Osho-br e Koyanisqatsi. Recebi esse reconhecimento de Clarissa Maria . “O selo de reconhecimento Blog Instigante premia os blogs que, além da assiduidade das postagens e do esmero com que são feitos, provoca-nos a necessidade de refletir, questionar, aprender e – sobretudo – que instigam almas e mentes à procura de conhecimento e sabedoria.”


Indico os Blogs abaixo:









Regra para utilização do selo: Os blogs indicados acima, caso queiram usar o selo, deverão escolher – cada um – 7 blogs com as características acima descritas e deverão copiar a imagem do selo e o texto acima, adicionando-os ao espaço que convier.

O Cubo e o Corpo

Meus pés roxos tremiam como quem acabara de derramar uma balde de gelo pelos dedos retorcidos, meu corpo ficou nulo, perdeu as forças, a mente solitária ficou efervescendo entretanto sem nenhum pensamento retilíneo, vagou. Conclui que não estava mais presente.

Se existisse algum relato, este seria simples:

Meu espírito estava sentado em cima de um imenso cubo, este cubo já não era terra, não era céu, nem era nada, apenas habitava um vazio, a imensidão negra de lugar nenhum...Corpo, mente e espírito despediram-se as vinte três e quarenta e cinco. Quando retomei os sentidos, após ouvir as palavras pensei logo no Arcanjo, e por onde ele andava, pensei em Deus, no meu Deus, e porque e como fui parar naquele gélido cubo lutando contra a cegueira e a escuridão.

Assim passou, e se foi, então me conformei com a palidez, o cansaço e a alegria do alivio (da não dor), e que o resto virá com o tempo, um tempo sem fim, um templo de luz , de um corpo que ascende.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Declaração Universal dos Direitos Humanos

Artigo 19 - Todo o homem tem direito à liberdade de opinião e expressão; este direito inclui a liberdade de, sem interferências, ter opiniões e de procurar, receber e transmitir informações e idéias por quaisquer meios,
independentemente de fronteiras.


Entendo que este artigo é explicitamente violado, pois qualquer tentativa de liberdade de expressão ou opinião ditas “normais” são facilmente contidas pela mídia ou pela própria sociedade. A massificação através dos meios de comunicação, nos trouxe esse estado de “grão de areia”, onde a voz não tem mais força, e as pessoas estão sujeitas a uma só verdade deste grande Deus chamado Mídia.

Este isolamento facilitou as manobras de controle de uma minoria egocêntrica, que não proporciona uma outra visão diferente da vigente, isso se dá através da falta de informação e da liberdade de opinião. Criando facilmente assim um exercito de cegos. Hoje as idéias e os ideais, estão distorcidos pela uniformização social, seguimos padrões impostos por todos os lados, e o diferente tornou-se inimaginável ou digno de extremos preconceitos.

Este estado de escravização não nos permite uma clara imagem de nós mesmos, a sociedade e o ser humano não conhecem a eles mesmos, eles se projetam em vontades superiores e perdem a capacidade de diferenciar a verdade e a mentira, ou o bem do mau.
Se não temos liberdade de escolhas nos tornamos padronizados, mecânicos e metódicos, andamos enfileirados e perdemos o discernimento. Este discernimento inserido na relação que se estabelece entre as comparações, favorece a evolução e a coerência, dois fatores inevitáveis para o progresso da sociedade.

Vejo que a tentativa de alguns grupos (conhecidos como rebeldes, utópicos ou revolucionários) ainda se torna válida, pois do contrário tudo seria controlado por alguém, e este alguém não deseja a igualdade, a livre informação e a possibilidade de avaliação, este “sujeito” quer que continuemos assim, cegos, iludidos e robotizados.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Percepções

Rasgo as folhas do tempo para não deixar vestígios, para que mesmo o mais curioso e audacioso dos jovens não reveja tamanha dor passada. Que não contemple a semente da solidão, aquela, que se esvaía seca pelas noites que nunca dormiam...

Sol. Hoje ela é sol. O astro que por uma razão inevitável e ao mesmo tempo abstrata se doa, e segue pela vida a iluminar sem hesitar. E aos plenos passos queimando, derretendo-me da maneira mais pura e gratificante inimaginável.

Sensações elementais...O braseiro que inunda o peito aberto, as carícias de uma onda que suavemente alcança as dunas, ou como a terra que se aconchega pela chegada das lágrimas do céu.

sábado, 29 de agosto de 2009

Instante

Quando a janela entreaberta respirava o sol das primerias horas da manhã, eu observei teu café, que ao mesmo tempo exalava a fumaça mais leve e sutil em todo o ambiente. As pernas cruzadas, o vestido leve, a xicara perto da cama, o livro nas pequenas mãos, tudo simetricamente afetuoso aos olhos de quem procura a perfeita serenidade. A santa no canto da casa nos olhava pelos raios de luz, rodiada de incensos, velas e lindas pedras, satisfeita com as oferendas do mundo, entretanto não um mundo qualquer, aquele era o nosso pequeno fragmento do universo.
Com nosso ritmo, nossos sorrisos e nossos amores...

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

O Calor

Pulsa um coração latejante, como quem já não sustenta a emoção perdida em palavras. O peito em plena ardência em altas labaredas pelas madrugadas suavemente adormeceu, ficou queimando, calado, e a dor então cessou.

A dor tornou-se uma lembrança, um resquício do passado cinzento, frio, que parecia não querer abandonar os suplicantes corpos, entretanto e finalmente o universo converteu-se em paz. Mesmo assim a realidade é tão bela, tão florida e generosa, que se confunde com os sonhos, revela traços de uma era de euforias, da alegria que não cabe em sí. Pareceu transmutar-se em ascensão.

Põem-se em questão a duração da verdade, visto que no momento sagrado tudo parece se completar e seguir simplesmente perfeito, como quem apenas subiu um degrau e pronto, como se a vida dissesse: “chegaste”. Compreendemos que tal harmonia não condiz com a história. Dentre cada árdua batalha, um receio pela facilidade conquistada instiga a dúvida.

O anseio agora beira a eternidade, mas não mais uma agonia de viver, mas sim um estado de compartilhar. Puramente dividir o amor, os cheiros e os sabores. Entenda-se livremente como a água límpida que escorre pela montanha seca, que almejando a união com o mar carrega a felicidade da vida.

Que sublime poesia nasceu do incerto, e a própria música mostrou-se menos divina que o encontro, a vida recebeu a dádiva, e a honra de poder crescer no infinito destino. Tudo que brota agora demonstra mais calor, é como se o sol abençoasse a terra que agora já pode anoitecer e amanhecer em paz como a muito tempo não ousava.

...