Pulsa um coração latejante, como quem já não sustenta a emoção perdida em palavras. O peito em plena ardência em altas labaredas pelas madrugadas suavemente adormeceu, ficou queimando, calado, e a dor então cessou.
A dor tornou-se uma lembrança, um resquício do passado cinzento, frio, que parecia não querer abandonar os suplicantes corpos, entretanto e finalmente o universo converteu-se em paz. Mesmo assim a realidade é tão bela, tão florida e generosa, que se confunde com os sonhos, revela traços de uma era de euforias, da alegria que não cabe em sí. Pareceu transmutar-se em ascensão.
Põem-se em questão a duração da verdade, visto que no momento sagrado tudo parece se completar e seguir simplesmente perfeito, como quem apenas subiu um degrau e pronto, como se a vida dissesse: “chegaste”. Compreendemos que tal harmonia não condiz com a história. Dentre cada árdua batalha, um receio pela facilidade conquistada instiga a dúvida.
O anseio agora beira a eternidade, mas não mais uma agonia de viver, mas sim um estado de compartilhar. Puramente dividir o amor, os cheiros e os sabores. Entenda-se livremente como a água límpida que escorre pela montanha seca, que almejando a união com o mar carrega a felicidade da vida.
Que sublime poesia nasceu do incerto, e a própria música mostrou-se menos divina que o encontro, a vida recebeu a dádiva, e a honra de poder crescer no infinito destino. Tudo que brota agora demonstra mais calor, é como se o sol abençoasse a terra que agora já pode anoitecer e amanhecer em paz como a muito tempo não ousava.
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